O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quinta-feira (28) o reconhecimento direto do Brasil ao tratado sobre a neutralidade permanente e a operação do Canal do Panamá. A declaração foi feita durante a visita oficial do presidente panamenho, José Raúl Mulino, ao Palácio do Planalto, em meio a tensões provocadas pelas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de retomar o controle da via interoceânica.
Lula afirmou que o Brasil apoia integralmente a soberania panamenha sobre o Canal, administrado pelo país desde 1999 após décadas de disputas.
“Tentativas de restaurar antigas hegemonias colocam em xeque a liberdade e a autodeterminação de nossos povos. Ameaças de ingerência comprometem a integração continental e utilizam o comércio internacional como instrumento de coerção e chantagem”, declarou.
O Canal do Panamá, inaugurado em 1914, conecta os oceanos Atlântico e Pacífico e é responsável por grande parte do escoamento do comércio marítimo mundial. O tratado de neutralidade, firmado nos Acordos Torrijos-Carter, garante o trânsito seguro e não discriminatório para navios de todas as nações.
Além do posicionamento político, a visita resultou em avanços econômicos e institucionais. O Ministério dos Portos e Aeroportos do Brasil e a Autoridade do Canal do Panamá assinaram um memorando de entendimento para otimizar exportações e modernizar portos brasileiros, com intercâmbio de experiências, estudos sobre novas rotas e avaliação de alternativas mais sustentáveis. Outro acordo prevê cooperação agrícola e pecuária em capacitação técnica, sanidade animal e vegetal e inovação.
No setor de defesa, a Embraer anunciou a venda de quatro aeronaves A-29 Super Tucano para o Serviço Nacional Aeronaval do Panamá. Já na área de saúde, a Fiocruz ampliará a cooperação para fortalecer a produção panamenha de vacinas e estruturar um polo farmacêutico regional.
O presidente Mulino, por sua vez, destacou os desafios climáticos enfrentados pelo país, como secas e impactos de fluxos migratórios na região de Darién. Confirmou também presença na COP30, em Belém, onde o Brasil pretende lançar o Fundo Florestas Tropicais para Sempre. Lula defendeu a adesão do Panamá ao mecanismo, reforçando a necessidade de remuneração internacional pela preservação ambiental.
“O Panamá já lida com a elevação do nível do mar em seu território. O deslocamento do povo indígena Guna de seu arquipélago ancestral é um exemplo concreto da injustiça climática”, disse Lula, ao reiterar que Brasil e Panamá, como detentores de vasta biodiversidade, devem ser reconhecidos pelos serviços ambientais prestados ao planeta.
Com informações da EBC
Fique por dentro das principais notícias do Agro no Brasil e no mundo!
Siga o Agromais nas redes sociais: Twitter | Facebook | Instagram | YouTube.
Tem uma sugestão de pauta? Nos envie pelo e-mail: agromaisproducao@gmail.com.
Acompanhe nossa programação 24 horas na TV — Claro: Canal 189 e 689 | Sky: Canal 569 | VIVO: 587
