O custo da cesta básica de alimentos caiu em 15 capitais e subiu em outras 12 no mês de julho, segundo a Análise Mensal da Cesta Básica de Alimentos, pesquisa divulgada nesta quarta-feira (20) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Pela primeira vez, o levantamento passa a contemplar todas as 27 capitais brasileiras, após a assinatura do acordo entre as duas instituições.
A redução nos preços foi puxada por alimentos como arroz, carne bovina, açúcar e feijão. São Paulo registrou o maior custo da cesta (R$ 865,90), seguida por Florianópolis (R$ 844,89), Porto Alegre (R$ 830,41), Rio de Janeiro (R$ 823,59) e Cuiabá (R$ 813,48). Já os menores valores foram encontrados nas capitais do Norte e Nordeste: Aracaju (R$ 568,52), Maceió (R$ 621,74), Salvador (R$ 635,08) e Porto Velho (R$ 636,69).
A participação da Conab permitirá ao Dieese ampliar de 17 para 27 o número de capitais analisadas. Agora, cidades como Boa Vista, Cuiabá, Macapá, Maceió, Manaus, Palmas, Rio Branco, São Luís, Teresina e Porto Velho passam a ter seus preços monitorados, o que, segundo o presidente da Conab, Edegar Pretto, representa uma “reparação histórica” para estados do Norte e Nordeste.
“Isso dá possibilidade para o Governo Federal se antecipar na formação de políticas públicas”, afirmou Pretto.
Indicadores sociais e nova cesta básica
O estudo também permite calcular quantas horas de trabalho são necessárias para adquirir os alimentos e estimar o salário mínimo nacional necessário. Para Adriana Marcolino, diretora técnica do Dieese, trata-se de um instrumento importante tanto para as políticas públicas quanto para as lutas da classe trabalhadora.
Segundo o diretor de Política Agrícola e Informações da Conab, Silvio Porto, a parceria é um passo para a implementação da nova cesta básica prevista no Decreto 11.936/2024. A expectativa é ampliar o monitoramento de 12 para 35 produtos até janeiro de 2026, incluindo alimentos ultraprocessados como marcador comparativo.
Representantes de movimentos sociais e do governo federal reforçaram a importância da ampliação. O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, destacou que o índice “vai dar uma análise mais fina para as políticas públicas”, enquanto a conselheira do Consea, Inês Rugani, ressaltou que informações de qualidade são “fundamentais para a democracia e o controle social”.
Investimento e abrangência nacional
O contrato entre Conab e Dieese prevê investimento inicial de R$ 2,5 milhões, com validade até março de 2026, podendo ser prorrogado. A parceria une a experiência da Conab, que há mais de 30 anos pesquisa preços de 112 produtos agropecuários, e a tradição do Dieese, que desde 1959 realiza o levantamento da cesta básica, inicialmente em São Paulo e, ao longo do tempo, em outras capitais.
Com a ampliação, o Brasil passa a ter, pela primeira vez, um panorama nacional completo do custo dos alimentos básicos, consolidando um instrumento essencial para acompanhar o direito humano à alimentação adequada e subsidiar políticas de segurança alimentar.
Com informações do Conab
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