O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, destacou a importância do Brics e o papel estratégico dos bancos de desenvolvimento na promoção da inovação nos países do Sul Global. A fala ocorreu durante a Cúpula do Brics, realizada nos dias 6 e 7 de julho, no Rio de Janeiro, e foi reforçada no seminário
“A Transição Energética e a Sustentabilidade do Futuro”, promovido na sede do BNDES nesta quarta-feira (9).
“O Sul Global precisa ser sujeito histórico da reconstrução de um novo pacto entre as nações. Estamos vivendo uma crise global de grandes proporções, e o papel do Estado se torna essencial para estimular a inovação, que por natureza é um risco que o mercado sozinho não assume”, afirmou Mercadante.
Parcerias para inovação
O presidente do BNDES revelou que o edital conjunto da instituição com a Finep para implantação e ampliação de centros de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (PD&I) no Brasil recebeu 618 propostas, somando R$ 57,4 bilhões em investimentos potenciais — quase 20 vezes o orçamento original de R$ 3 bilhões. Desse total, R$ 51,9 bilhões foram solicitados às instituições financeiras.
As propostas vieram de empresas nacionais e multinacionais com sede em países como Alemanha, Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos, Suíça e Singapura. Apenas para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, foram registradas 201 propostas, com previsão de R$ 16,1 bilhões em investimentos.
Segundo Mercadante, os projetos preveem a contratação de mais de 7.200 pesquisadores altamente qualificados e cerca de 28 mil profissionais, sinalizando uma forte conexão entre a política pública de fomento e o desenvolvimento tecnológico e industrial.
“Universidade e indústria devem caminhar juntas. É disso que precisamos para mudar nossa pauta de exportações e gerar mais valor agregado no Brasil”, pontuou.
Relações internacionais e novo modelo econômico
Mercadante elogiou a atuação do Brics na articulação de soluções para os países em desenvolvimento e reforçou a relevância da relação entre Brasil e China, que classificou como estratégica.
“Se tem alguém que não se incomoda com o sucesso da China, esse alguém é o Brasil. Nós queremos construir juntos um novo modelo de desenvolvimento, baseado em justiça, sustentabilidade e soberania tecnológica.”
O embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, também presente no evento, reforçou que o Brics “está do lado certo da história” e criticou posturas unilaterais adotadas por países desenvolvidos, como os Estados Unidos, que, segundo ele, “abandonam mecanismos multilaterais e agravam instabilidades globais”.
Papel dos bancos de desenvolvimento
Para Mercadante, o financiamento à inovação e à transição energética só será viável com o protagonismo dos bancos de desenvolvimento.
“O mercado de capitais não vai sozinho bancar a transformação de que precisamos. Os bancos públicos são essenciais para alavancar investimentos estruturantes”, disse.
O BNDES, segundo ele, já discute com o Banco do Brics formas de ampliar o crédito e articular ações coordenadas no financiamento verde, inovação tecnológica e soberania digital.
Brics e o Brasil
O bloco, atualmente composto por 13 países — incluindo novos membros como Irã, Egito, Etiópia e Indonésia — responde por quase metade da população mundial (48,5%), 39% da economia global e 23% do comércio internacional. Em 2024, os países do Brics receberam 36% das exportações brasileiras e foram origem de 34% das importações do Brasil.
“É com esse grupo que podemos construir um modelo de cooperação mais justo, mais equilibrado e mais conectado com os desafios dos países em desenvolvimento”, finalizou Mercadante.
Com informações do BNDES
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