
Reunião com a Abitrigo também tratou da expansão da triticultura no Cerrado, financiamento de armazéns e questões regulatórias relacionadas ao uso de fosfina

Representantes da Associação Brasileira da Indústria de Trigo (Abitrigo) se reuniram nesta terça-feira (18), em Brasília, com o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, para discutir questões que afetam o abastecimento e a cadeia produtiva do trigo no país. Entre os assuntos tratados estiveram as perspectivas de importação, a produção nacional, a armazenagem de grãos e aspectos regulatórios do setor.
Durante o encontro, a entidade apresentou uma estimativa de que o Brasil poderá importar cerca de 8 milhões de toneladas de trigo em 2026. O volume representa uma alta em relação ao patamar historicamente registrado pelo país, que varia entre 5,5 milhões e 6 milhões de toneladas anuais. A projeção considera a produção brasileira e a demanda da indústria.
A produção de trigo no Cerrado também esteve entre os temas da reunião. A utilização de cultivares adaptadas às condições do Brasil Central permite que a produção ocorra em período diferente da safra do Sul e da Argentina. Segundo as informações apresentadas pela Abitrigo, essa complementaridade pode contribuir para ampliar a oferta e diminuir oscilações de disponibilidade e preços.
A associação defendeu ainda a continuidade dos investimentos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em pesquisa e melhoramento genético voltados à produção de trigo no Brasil Central. O desenvolvimento de materiais adaptados à região é considerado importante para o avanço da triticultura no Cerrado.
Outro ponto discutido foi a capacidade de armazenagem. A reunião abordou alternativas de financiamento para construção, ampliação e modernização de estruturas destinadas aos grãos, incluindo linhas previstas no Plano Safra.
Entre os mecanismos citados está o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA), que contempla projetos de armazenagem de grãos e possui condições diferenciadas para empreendimentos com capacidade de até 12 mil toneladas.
A regulamentação do uso de fosfina para o controle de pragas em silos e instalações da indústria moageira foi outro assunto levado à mesa. De acordo com a Abitrigo, existe uma questão regulatória relacionada à utilização do produto em instalações industriais, tema que vem sendo discutido entre o setor e os órgãos responsáveis.
Participaram da reunião o presidente-executivo da Abitrigo, Rubens Barbosa, o diretor-executivo, Eduardo Assêncio, e o presidente do Conselho, Daniel Kümmel. Pelo Mapa, estiveram presentes o secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart, o secretário de Desenvolvimento Rural, Marcelo Fiadeiro, a assessora especial Sibelle Andrade e o assessor especial Pedro Cunto.