
Biodiversidade recuperada vira fonte de renda em propriedades rurais

A recuperação da biodiversidade em propriedades rurais começa a abrir uma nova frente de negócios para produtores que adotam práticas de agricultura regenerativa. Esse foi o tema da live “Turismo de Observação de Natureza: oportunidades para a agricultura regenerativa”, promovida pela Frente Empresarial para a Regeneração da Agricultura (FERA), em parceria com a Avistar e a Associação Nacional de Turismo de Observação de Vida Silvestre (TOVS).
O encontro reuniu produtores e empreendedores de Mato Grosso, São Paulo e Minas Gerais, que apresentaram experiências de propriedades capazes de conciliar produção, conservação ambiental e turismo de natureza. Os relatos mostraram que a recuperação de áreas e o aumento da diversidade de espécies podem gerar novas fontes de renda sem substituir a atividade agropecuária.
Em Alta Floresta (MT), o empresário do turismo Fernão Prado apresentou a experiência da Fazenda Anacã, onde há 12 anos são integradas pecuária, energia solar, conservação e observação de vida silvestre. A propriedade mantém uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) e corredores ecológicos que conectam fragmentos de floresta.
As áreas de preservação permanente também são utilizadas pelo turismo, enquanto as trilhas funcionam como aceiros. Segundo Prado, a diversificação das atividades já resultou na criação de oito empregos e contribuiu para agregar valor à propriedade.
Outra experiência de Mato Grosso foi apresentada por Raquel Zanchet, cofundadora do Jardim da Amazônia Lodge. Localizada em uma área de transição entre Amazônia e Cerrado, a propriedade passou por diferentes atividades produtivas até chegar ao turismo de natureza. A presença crescente de aves despertou o interesse de observadores e levou à criação do empreendimento.
Hoje, o local possui três trilhas para observação e uma estação de pesquisas que integra ciência, conservação e turismo.
Em Bueno Brandão (MG), o produtor Valmor Santos Filho mostrou como a agricultura regenerativa transformou também o perfil do Café Campo Místico. Desde 2017, a propriedade combina cafeicultura e sistemas agroflorestais. A recuperação ambiental favoreceu o retorno de aves e outros animais, ampliando as possibilidades de turismo.
Além da produção e torrefação de café, a propriedade oferece experiências relacionadas à colheita e à torra e estimula a comercialização de produtos artesanais da região.
Em Monte Alegre do Sul (SP), Luís Gonzaga Truzzi, proprietário da Pousada da Fazenda, encontrou na observação de aves uma nova oportunidade de negócio. O interesse surgiu após a instalação de estruturas para atrair beija-flores e a identificação de outras espécies na propriedade. A divulgação das aves em plataformas especializadas trouxe visitantes de diferentes regiões e países.
As experiências apresentadas mostram que a conservação pode se transformar em ativo econômico para propriedades rurais. Ao recuperar ambientes, ampliar a biodiversidade e estruturar atividades de visitação, produtores conseguem diversificar receitas, gerar empregos e valorizar a terra sem abandonar a produção agropecuária.
O turismo de observação de aves e de vida silvestre desponta, assim, como uma alternativa para o agro regenerativo, aproximando conservação ambiental, produção rural e novas oportunidades de negócios.