O desempenho da agropecuária foi um dos principais fatores a sustentar a atividade econômica brasileira em 2025, segundo o Balanço Macrofiscal de 2025 e Perspectivas para 2026, divulgado pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Em um ano marcado pela desaceleração relativa da indústria e dos serviços, o setor agropecuário surpreendeu positivamente e ajudou a compensar a perda de fôlego de segmentos mais sensíveis ao ciclo econômico.
O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 2,3% em 2025, percentual acima da projeção inicial de mercado, que no início do ano apontava expansão de 2,0%. De acordo com o documento, a surpresa positiva foi explicada, em grande medida, pelo desempenho da agropecuária e da produção extrativa, diferentemente de 2024, quando setores mais cíclicos lideraram o crescimento.
Pela ótica da oferta, a atividade agropecuária avançou impulsionada por uma safra recorde de grãos, pela expansão da produção de outras culturas agrícolas e do leite, além da melhora da produtividade em diversas cadeias. Esse resultado foi decisivo para mitigar os efeitos da desaceleração observada na indústria e nos serviços ao longo do ano.
O relatório destaca que a ampliação do Plano Safra e do Pronaf teve papel central na sustentação da produção agropecuária em 2025. O volume recorde de recursos, aliado à expansão do crédito rural, ao fortalecimento do seguro agrícola e ao estímulo à agricultura de baixo carbono, viabilizou safras históricas, contribuiu para a estabilidade dos preços dos alimentos e reforçou a competitividade do agronegócio brasileiro no mercado internacional.
No setor externo, o crescimento das exportações ajudou a amenizar o déficit em transações correntes, com o Brasil registrando novos recordes na corrente de comércio. As vendas externas foram sustentadas tanto por commodities agrícolas quanto por produtos manufaturados, mesmo em um ambiente internacional marcado pelo recrudescimento do protecionismo.
Para 2026, a expectativa do governo é de manutenção de um ambiente favorável ao setor agropecuário, com continuidade dos instrumentos de crédito, seguro e estímulo à produção sustentável. O documento aponta que o agro deve seguir como um dos pilares de sustentação da atividade econômica, contribuindo para o equilíbrio macroeconômico, a segurança alimentar e a geração de renda no país.