A tecnologia de aplicação de produtos fitossanitários interfere diretamente na eficiência do controle de pragas, doenças e plantas daninhas e na segurança da produção de alimentos. Com esse foco, a Embrapa Soja (PR) e a Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) reuniram orientações técnicas para mitigar problemas recorrentes em condições de campo. As informações integram a publicação Tecnologia de aplicação de pesticidas, que será lançada durante o Show Rural Coopavel, em Cascavel (PR), no período (9 a 13).
De acordo com os pesquisadores, o manejo fitossanitário começa pelo diagnóstico correto do problema, passa pela escolha do produto mais indicado e depende, de forma decisiva, da qualidade da aplicação. “O uso de pesticidas exige equipamento em perfeitas condições de uso, boa regulagem, informações sobre condições climáticas e conhecimentos técnicos e científicos para que o alvo seja atingido, sem colocar em risco a segurança humana e ambiental”, afirma Dionísio Gazziero, pesquisador da Embrapa Soja.
Segundo Gazziero, para que os produtos cumpram sua função com eficiência e segurança, é necessário respeitar uma série de processos técnicos e ambientais.
“Desde o momento em que a calda sai do pulverizador até atingir o alvo, é preciso seguir orientações técnicas para evitar perdas, contaminações e impactos indesejados”, complementa.
A publicação será apresentada na Vitrine de Tecnologias da Embrapa e tem como autores Cleber Maciel, Dionísio Gazziero, Rafael Theisen, Luiz Gustavo Bridi e Fernando Adegas. O material destaca que a aplicação terrestre ou aérea de pesticidas segue como o método mais rápido e eficaz de controle fitossanitário, mas alerta que o sucesso dessas operações depende diretamente da qualidade dos equipamentos, da regulagem correta, da capacitação dos operadores, da escolha das pontas de pulverização e do respeito às condições ambientais.
“Quando o processo não é bem conduzido, o ingrediente ativo pode não atingir o alvo. Isso favorece a deriva, a evaporação e a contaminação de culturas vizinhas, dos recursos hídricos e até do próprio aplicador”, ressalta Cleber Maciel, professor da Unicentro.
As condições meteorológicas estão entre os fatores que mais influenciam a eficiência da aplicação. Ventos acima do recomendado, baixa umidade do ar e temperaturas elevadas aumentam significativamente o risco de perdas.
“Estudos indicam que as melhores condições para aplicação ocorrem com ventos entre 3,2 e 6,5 km/h, umidade relativa mínima de 55% e temperatura inferior a 30 °C”, observa Maciel.
O tamanho das gotas também é considerado decisivo. Gotas muito finas favorecem a cobertura do alvo, mas são mais suscetíveis à deriva. Já gotas maiores reduzem o risco de contaminação ambiental e são indicadas, por exemplo, para herbicidas mimetizadores da auxina.
“Casos de fitointoxicação em culturas sensíveis levaram órgãos reguladores e fabricantes a recomendar, e em alguns casos exigir, o uso de gotas grossas ou extremamente grossas, além da adoção rigorosa de boas práticas agrícolas”, explica Gazziero.
Outro ponto crítico destacado pelos autores é a regulagem e a calibração dos pulverizadores. Inspeções de campo indicam que muitos equipamentos operam com falhas que comprometem a eficácia do controle e aumentam riscos ambientais.
“A calibração correta garante que o volume de calda aplicado corresponda ao planejado, considerando velocidade, pressão, espaçamento entre bicos e altura da barra”, afirma Gazziero.
Problemas como vazamentos, filtros obstruídos e bicos desgastados são mais comuns do que se imagina.
“A manutenção dos equipamentos, o respeito às condições ambientais no momento da aplicação e o treinamento de operadores e técnicos são gargalos importantes do setor”, avalia Maciel.
A publicação também chama atenção para as misturas em tanque, prática amplamente adotada no Brasil para otimizar tempo e custos operacionais. Apesar das vantagens, o procedimento exige cuidados rigorosos.
“As incompatibilidades físicas e químicas podem comprometer a eficácia dos produtos, causar entupimento de bicos, formar espuma e até aumentar a fitotoxicidade nas culturas”, alerta Maciel.
Na avaliação dos autores, o sucesso do manejo fitossanitário não depende apenas do produto utilizado, mas, sobretudo, da forma como ele é aplicado.
“Seguir critérios técnicos, respeitar as condições ambientais e investir em capacitação são medidas fundamentais para garantir produtividade no campo, com segurança para o aplicador, o consumidor e o meio ambiente”, conclui Gazziero.
Com informações da Embrapa
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