A produção industrial brasileira recuou 1,2% na passagem de novembro para dezembro de 2025, aprofundando a trajetória negativa observada desde setembro, período em que o setor acumulou perda de 1,9%. Trata-se da queda mais intensa desde julho de 2024. Na comparação com dezembro do ano anterior, houve avanço de 0,4%, interrompendo dois meses consecutivos de taxas negativas. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada pelo IBGE nesta segunda-feira (3).
No acumulado de 2025, a indústria cresceu 0,6%, terceiro ano consecutivo de alta, embora em ritmo menor do que em 2024. Com esse resultado, o nível de produção ficou 0,6% acima do patamar pré-pandemia, mas ainda 16,3% abaixo do pico histórico registrado em 2011.
Segundo o IBGE, a perda de dinamismo ao longo do ano esteve associada à política monetária mais restritiva, que afetou decisões de investimento das empresas e o consumo das famílias. Após crescimento de 1,2% no primeiro semestre, a indústria praticamente estagnou na segunda metade de 2025.
Do ponto de vista do agronegócio, dois segmentos tiveram papel relevante na sustentação do resultado industrial. A indústria extrativa avançou 4,9% no ano, impulsionada pelo petróleo, com impacto direto sobre custos logísticos e energéticos do setor agropecuário. Já a indústria de produtos alimentícios cresceu 1,5% e figurou entre as principais influências positivas do período, refletindo a resiliência da agroindústria mesmo em um ambiente de crédito mais caro e consumo moderado.
Por outro lado, a queda de 1,5% na produção de bens de capital sinaliza menor ritmo de investimentos, com possíveis efeitos sobre a indústria de máquinas e equipamentos agrícolas. A retração da indústria de veículos, que caiu 8,7% em dezembro, também afeta indiretamente o agronegócio ao limitar a renovação de frotas e pressionar a logística de transporte de insumos e da produção.
Na passagem de novembro para dezembro, 17 dos 25 ramos industriais registraram queda. As maiores influências negativas vieram de veículos automotores, produtos químicos e metalurgia. O segmento químico, fortemente ligado à produção de fertilizantes e defensivos, acumulou retração expressiva no mês, indicando ajustes na oferta e na demanda por insumos industriais usados no campo.
Em sentido oposto, coque, derivados do petróleo e biocombustíveis avançaram 5,4% em dezembro, interrompendo uma sequência de três meses de queda e exercendo o principal impacto positivo na média industrial.
Para o IBGE, o desempenho de 2025 revela um setor industrial mais dependente de poucos segmentos, entre eles os ligados ao agro e à extração, enquanto a indústria de transformação encerra o ano com perda de fôlego. O cenário reforça o papel da agroindústria como amortecedor da atividade econômica em um contexto de juros elevados e menor dinamismo industrial.
Com informações do IBGE
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