O presidente da COP 30, André Corrêa do Lago, defendeu nesta terça-feira (27) a adoção de uma nova abordagem para o multilateralismo climático, estruturada em dois níveis: a preservação do consenso como base de legitimidade e a aceleração da implementação das decisões. Em carta divulgada à comunidade internacional, o embaixador argumenta que a estabilidade global futura depende de planejamento coletivo, especialmente em um cenário marcado por tensões geopolíticas.
Segundo Corrêa do Lago, o multilateralismo precisa ganhar velocidade para acompanhar o ritmo do aquecimento global, sem abrir mão da tomada de decisões por consenso. Para ele, as Conferências das Partes seguem cumprindo papéis centrais na governança climática, como a coordenação universal, a produção de decisões formais e a construção de impulso político.
A carta integra uma série de documentos publicados desde março de 2024 e propõe uma reflexão sobre o papel da COP 30 no fortalecimento do multilateralismo climático. De acordo com o presidente da conferência, apesar dos desafios políticos e socioeconômicos, a COP realizada em Belém contribuiu para aproximar a agenda climática das pessoas e para acelerar a implementação do Acordo de Paris.
Corrêa do Lago afirma que a resposta às mudanças climáticas deixou de depender exclusivamente de autorizações formais ou de ações concentradas em poucos países ou setores. Para ele, os resultados da COP 30 demonstram que um multilateralismo funcional é essencial para tornar a governança global efetiva mesmo em contextos complexos.
O documento reforça a proposta de um multilateralismo de duas velocidades. A primeira, institucional, baseada no consenso que estruturou o regime climático nas últimas três décadas. A segunda, voltada à implementação, com foco na mobilização rápida e em larga escala de recursos, atores e mecanismos em nível global. Nesse contexto, o Acelerador Global de Implementação, criado a partir da Decisão Mutirão da COP 30 e que será coorganizado com as presidências designadas da COP 31, é apontado como um possível modelo para destravar escala e velocidade na ação climática.
A carta também destaca a iniciativa brasileira de trazer ao centro do debate internacional a dependência global dos combustíveis fósseis, responsáveis por cerca de 70% das emissões de gases de efeito estufa. Embora o sistema multilateral ainda não estivesse preparado para formalizar esse debate, o Brasil assumiu a responsabilidade de desenvolver mapas do caminho para a transição dos combustíveis fósseis e para interromper e reverter o desmatamento.
Segundo Corrêa do Lago, esses roteiros não têm caráter moralizante, mas buscam oferecer previsibilidade e estabilidade. O planejamento adequado, afirma, pode reduzir riscos sistêmicos, proteger ativos e fortalecer a confiança. Por outro lado, transições mal conduzidas podem gerar desordem, ruptura social, volatilidade e perdas abruptas de valor econômico.
Com informações do Gov.br
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