Em Davos, na Suíça, a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, participou da Reunião dos Líderes da First Movers Coalition (FMC) e formalizou a adesão do Brasil à iniciativa, durante encontro realizado nesta quinta-feira (22). A coalizão reúne governos, empresas e organismos multilaterais com o objetivo de acelerar a viabilidade comercial de tecnologias e produtos de baixa emissão de carbono por meio de sistemas de compras sustentáveis. Atualmente, a FMC envolve 14 países, incluindo seis integrantes do G7.
Ao abrir sua participação, a ministra destacou desafios globais compartilhados, como as mudanças climáticas, o aumento das desigualdades, a rápida transformação tecnológica e as tensões geopolíticas. Segundo ela, esse contexto pressiona empresas a investir em tecnologias mais limpas, ao mesmo tempo em que lidam com mercados voláteis e ambientes regulatórios instáveis. A proposta da First Movers Coalition, afirmou, é justamente impulsionar tecnologias climáticas emergentes com alto potencial de impacto na descarbonização da economia, utilizando o poder de compra coletivo de seus membros.
Dweck ressaltou que a descarbonização não depende apenas da existência de tecnologias, mas da disposição de compradores em liderar esse movimento. No caso brasileiro, essa lógica se aplica de forma direta ao setor público.
“As compras públicas são uma das ferramentas mais poderosas que os governos dispõem para apoiar transições do setor privado. Quando critérios de sustentabilidade são incorporados aos processos de compra, cria-se demanda previsível por soluções que as empresas já produzem ou estão dispostas a desenvolver”, afirmou.
Nesse contexto, a ministra relembrou a Declaração de Belém sobre Compras Públicas Sustentáveis, lançada pelo Brasil com apoio do Fórum Econômico Mundial e da própria FMC. Segundo ela, o documento reflete uma abordagem voluntária e colaborativa para o uso do poder de compra do setor público como instrumento de escala de soluções sustentáveis, estimulando a cooperação entre diferentes jurisdições e o engajamento de múltiplos atores.
A ministra também destacou avanços recentes do país, como o Plano para Acelerar Soluções em Compras Públicas Sustentáveis, desenvolvido no âmbito da Agenda de Ação da COP30 em parceria com o PNUMA e a UNIDO. O plano tem foco na implementação prática, com ferramentas compartilhadas, critérios claros, capacitação e ações direcionadas a setores de maior impacto, reconhecendo a First Movers Coalition como uma plataforma estratégica de colaboração público-privada.
Essas iniciativas estão ancoradas na Estratégia Nacional de Compras Públicas Sustentáveis, lançada em (2025), que busca transformar boas práticas pontuais em sinais consistentes e de longo prazo para o mercado.
“Ao atuar de forma transversal entre setores e níveis de governo e organizar ações por meio de planejamentos plurianuais, a estratégia oferece às empresas previsibilidade, escala e um fluxo confiável para embasar decisões de investimento”, afirmou a ministra.
Com a assinatura da adesão à FMC, o Brasil reforça o interesse em aprofundar o diálogo internacional, aprender com experiências de outros países e contribuir com a perspectiva do setor público em uma plataforma que articula governos e empresas em torno de desafios comuns ligados à transição climática.
Futuro do trabalho e inteligência artificial
Na véspera do encontro, em (21), Esther Dweck também participou de um debate sobre a “Revolução da requalificação: moldando o futuro dos talentos globais”, iniciativa do Fórum Econômico Mundial voltada ao desenvolvimento de competências necessárias para uma economia marcada pela inteligência artificial e pela transição verde. No debate, a ministra ressaltou que, do ponto de vista do serviço público, é essencial tratar riscos e direitos associados ao uso da IA.
“Como proteger os cidadãos à medida que esses sistemas são implantados? Quais salvaguardas funcionam contra uso indevido, preconceito e discriminação?”, questionou.
Segundo ela, no Brasil a estratégia de capacitação inclui investimentos em soluções de baixo código ou sem código, como forma de acelerar o desenvolvimento de aplicações de inteligência artificial voltadas à automação no setor público.
A 56ª Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial reúne líderes de governos, empresas, sociedade civil e da comunidade científica e cultural, com o objetivo de promover diálogo e soluções para desafios globais. Sob o tema “Um Espírito de Diálogo”, o evento busca fomentar a troca de ideias em um contexto de profundas transformações geopolíticas e sociais, conectando iniciativas e estimulando respostas conjuntas a problemas compartilhados.
Com informações do Gov.br
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