Avaliações técnicas realizadas em poços tubulares profundos nas bacias dos rios Taquari-Antas e Baixo Jacuí indicam riscos à qualidade da água utilizada por famílias rurais no Rio Grande do Sul, após as enchentes registradas em (2024). Os estudos integram o programa Recupera Rural RS e foram conduzidos pela Embrapa, em parceria com a Emater/RS-ASCAR, a partir de coletas realizadas em (2025), em 17 municípios do estado.
Os relatórios analisaram indicadores de potabilidade e a presença de agentes biológicos em águas subterrâneas, com foco em possíveis impactos sobre o consumo humano e a dessedentação animal. As análises laboratoriais utilizaram técnicas de biologia molecular, como o método qPCR, capaz de identificar o DNA de microrganismos potencialmente patogênicos.
Entre os principais pontos de atenção estão registros pontuais de contaminação por Salmonella spp, Toxoplasma gondii e uma cepa patogênica de Escherichia coli, além de concentrações elevadas de fluoreto e nitrato em alguns poços. Segundo a equipe técnica, essas ocorrências não foram generalizadas. As amostras também foram coletadas antes da passagem da água pelos sistemas de cloração, presentes na maioria das estruturas avaliadas.
“Isso significa que muitos desses organismos potencialmente patogênicos já são eliminados quando entram em contato com o cloro inserido no sistema”, explica o pesquisador Alexandre Matthiensen, da Embrapa Suínos e Aves, responsável pela coordenação dos trabalhos.
Os resultados deram origem a relatórios individualizados por poço, que foram encaminhados à Emater/RS-ASCAR. A entidade será responsável por orientar os produtores rurais quanto às condições identificadas e às medidas corretivas necessárias. Entre as recomendações estão a cloração adequada, a fervura da água para consumo humano, ações de vigilância sanitária e a proteção física dos poços.
“Considerando que as coletas ocorreram antes da cloração, as principais recomendações são suficientes para mitigar os riscos identificados”, afirma Matthiensen. Segundo ele, o monitoramento seguirá ativo. “A equipe do Recupera Rural RS continuará acompanhando a qualidade das águas subterrâneas para garantir segurança no consumo doméstico e na retomada das atividades produtivas”, acrescenta.
A base técnica dos relatórios considerou os parâmetros estabelecidos pela Portaria GM/MS nº 888, que define os padrões de potabilidade da água para consumo humano, e pela Resolução Conama nº 396, voltada ao enquadramento ambiental das águas subterrâneas. De acordo com o pesquisador, os dois instrumentos têm finalidades distintas.
“A portaria estabelece padrões para consumo humano, enquanto a resolução ambiental classifica a água conforme os usos do aquífero. A definição do padrão de qualidade para o uso final cabe aos órgãos reguladores específicos”, explica.
Para efeito de comparação, os valores máximos permitidos adotados nos relatórios se baseiam nas duas normas, além de referências técnicas complementares quando o uso avaliado é a dessedentação animal. O objetivo, segundo a Embrapa, é fornecer subsídios técnicos para decisões no campo, preservando a saúde das famílias rurais e a segurança da produção agropecuária.
Com informações da Embrapa
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