A safra brasileira de grãos de 2025 não apenas bateu recorde histórico, como sinalizou a consolidação de um novo patamar produtivo no país. Com 346,1 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas, o Brasil registrou o maior volume desde o início da série do IBGE, em 1975, segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado desta quinta-feira (15) de janeiro. O número representa uma expansão de 18,2% em relação a 2024 e evidencia que a recuperação pós-crise climática no Sul foi acompanhada por ganhos estruturais no campo.
A marca tem peso histórico. Até 2022, o país jamais havia alcançado 300 milhões de toneladas de grãos. Esse limite foi superado pela primeira vez em 2023, com 316,4 milhões de toneladas. Em 2024, a produção recuou para 292,7 milhões de toneladas, impactada principalmente pelos eventos climáticos extremos no Rio Grande do Sul, mas ainda assim permaneceu acima de qualquer safra registrada entre 1975 e 2022. O desempenho de 2025, portanto, não é apenas um pico isolado, mas parte de uma trajetória recente de volumes elevados.
O avanço fica ainda mais claro quando se observa o acumulado por triênios. Entre 2023 e 2025, o Brasil produziu 955,23 milhões de toneladas de grãos. No primeiro triênio da gestão anterior, entre 2019 e 2021, o total foi de 755,28 milhões de toneladas. A diferença de 199,95 milhões de toneladas supera toda a produção anual brasileira em 2016, de 185,89 milhões de toneladas, e também é maior do que a colheita de 2014, quando o país produziu 194,57 milhões de toneladas. Desde que ultrapassou os 200 milhões de toneladas pela primeira vez, em 2015, o Brasil só voltou a ficar abaixo desse patamar em 2016.
O recorde de 2025 foi sustentado por cinco culturas que atingiram volumes inéditos. A soja chegou a 166,1 milhões de toneladas e manteve sua centralidade na pauta agrícola. O milho alcançou 141,7 milhões de toneladas, o algodão somou 9,9 milhões de toneladas, o sorgo atingiu 5,4 milhões de toneladas e o café canephora totalizou 1,3 milhão de toneladas. O desempenho combinado dessas lavouras explica boa parte do salto observado na safra total.
O crescimento da produção não foi resultado apenas de expansão de área. A área colhida em 2025 foi estimada em 81,6 milhões de hectares, 3,2% superior a 2024, o que corresponde a 2,5 milhões de hectares adicionais. Houve aumento de área em algodão (5,7%), arroz (11,1%), soja (3,7%), milho (4,3%) e sorgo (15,6%). Em sentido oposto, feijão e trigo recuaram, com quedas de 7,2% e 18,2%, respectivamente.
A comparação de longo prazo revela o aspecto mais estrutural do avanço brasileiro. Em 2012, o país produziu 162 milhões de toneladas de grãos. Treze anos depois, a safra mais do que dobrou. No mesmo período, a área plantada cresceu 66,8%, passando de 48,9 milhões para 81,6 milhões de hectares. Ou seja, a produção avançou em ritmo muito mais acelerado que a expansão territorial, evidenciando ganho de produtividade.
Para Carlos Alfredo Guedes, gerente de Agricultura do IBGE, esse salto é resultado de dois vetores principais: pesquisa e tecnologia. Ele destaca o papel da Embrapa no desenvolvimento de variedades adaptadas aos diferentes biomas e o investimento crescente dos produtores em práticas e insumos mais eficientes. Segundo ele, as condições climáticas favoráveis em 2025 também foram determinantes, especialmente para soja, milho e algodão.
A distribuição regional da produção reforça a concentração no Centro-Oeste. A região respondeu por 178,7 milhões de toneladas, ou 51,6% do total nacional. O Sul apareceu em segundo lugar, com 86,3 milhões de toneladas, equivalentes a 24,9%. Sudeste, Nordeste e Norte ficaram abaixo de 10% cada: 31,1 milhões (9%), 27,7 milhões (8%) e 22,3 milhões de toneladas (6,5%), respectivamente.
Entre os estados, Mato Grosso manteve a liderança, com 32% da produção nacional. Na sequência vieram Paraná (13,5%), Goiás (11,3%), Rio Grande do Sul (9,3%), Mato Grosso do Sul (8,1%) e Minas Gerais (5,5%). Juntos, esses seis estados concentraram 79,7% de toda a safra de grãos do país.
Para 2026, o terceiro prognóstico do LSPA aponta leve retração de 1,8%, o que representaria 6,3 milhões de toneladas a menos que em 2025, com produção estimada em 339,8 milhões de toneladas. Mesmo assim, o volume projetado seria o segundo maior da série histórica iniciada em 1975.
O cenário se desenrola em meio ao Plano Safra 2025/2026, anunciado em julho de 2024 com R$ 516,2 bilhões em crédito para a agricultura empresarial, o maior já registrado. O plano prioriza a ampliação do crédito rural, o estímulo à produção sustentável e investimentos em infraestrutura no campo, com incremento de R$ 8 bilhões em relação ao ciclo anterior.
Com informações do IBGE
Fique por dentro das principais notícias do Agro no Brasil e no mundo!
Siga o Agromais nas redes sociais: Twitter | Facebook | Instagram | YouTube.
Tem uma sugestão de pauta? Nos envie pelo e-mail: agromaisproducao@gmail.com.
Acompanhe nossa programação 24 horas na TV — Claro: Canal 189 e 689 | Sky: Canal 569 | VIVO: 587
