As exportações brasileiras alcançaram um recorde histórico em 2025, mesmo em um cenário internacional adverso. Dados divulgados nesta terça-feira (6/1) pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC) mostram que as vendas externas somaram US$ 348,7 bilhões no ano passado, superando em US$ 9 bilhões o recorde anterior, registrado em 2023.
O resultado consolida os últimos três anos como os melhores da série histórica da balança comercial brasileira. Em relação a 2024, o crescimento foi de 3,5% em valor e de 5,7% em volume. Este último percentual mais que dobrou a estimativa da Organização Mundial do Comércio (OMC) para a expansão do comércio global em 2025, projetada em 2,4%.
Segundo o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, o desempenho reflete a estratégia de diversificação de mercados e os programas de estímulo à competitividade.
“Em meio às dificuldades geopolíticas, conseguimos conquistar novos mercados e ampliar os que já tínhamos”, afirmou. Ele destacou ainda o papel da Nova Indústria Brasil (NIB) e do Plano Brasil Soberano.
Mais de 40 mercados registraram recorde de compras de produtos brasileiros em 2025, com destaque para Canadá, Índia, Turquia, Paraguai, Uruguai, Suíça, Paquistão e Noruega.
Importações e saldo comercial
As importações também atingiram patamar recorde, somando US$ 280,4 bilhões em 2025, alta de 6,7% frente a 2024 e quase US$ 8 bilhões acima do recorde anterior, de 2022. Com isso, a corrente de comércio chegou a US$ 629,1 bilhões, maior valor já registrado, com crescimento de 4,9% em relação ao ano anterior.
O superávit comercial ficou em US$ 68,3 bilhões, o terceiro maior da série histórica, atrás apenas dos resultados de 2023 e 2024.
Desempenho em dezembro
Em dezembro de 2025, as exportações totalizaram US$ 31 bilhões, alta de 24,7% e recorde para o mês. As importações somaram US$ 21,4 bilhões, com crescimento de 5,7%, enquanto o saldo comercial atingiu US$ 9,6 bilhões, avanço de 107,8% e também o maior já registrado para meses de dezembro. A corrente de comércio ficou em US$ 52,4 bilhões, alta de 16,2%.
Setores, produtos e destinos
No acumulado do ano, as exportações da indústria de transformação cresceram 3,8% em valor e alcançaram US$ 189 bilhões, impulsionadas pelo aumento de 6% em volume. O setor registrou recordes em produtos como carne bovina, carne suína, alumina, veículos para transporte de mercadorias, caminhões, café torrado, máquinas e equipamentos elétricos, defensivos agrícolas e produtos de perfumaria.
A indústria extrativa teve crescimento de 8% no volume exportado, com recordes nos embarques de minério de ferro e petróleo. Já os bens agropecuários avançaram 7,1% em valor e 3,4% em volume. O café verde atingiu valor recorde, enquanto soja e algodão registraram volumes históricos.
A China permaneceu como principal destino das exportações brasileiras, com crescimento de 6% e compras de US$ 100 bilhões, puxadas por soja, carne bovina, açúcar, celulose e ferro-gusa. As vendas para a União Europeia cresceram 3,2%, e para a Argentina, 31,4%, impulsionadas pelo setor automotivo.
Para os Estados Unidos, houve retração de 6,6% no ano, concentrada entre agosto e dezembro, em decorrência do aumento de tarifas imposto pelo governo norte-americano. Em dezembro, porém, a queda foi menor, de 7,2%, com exportações acima de US$ 3 bilhões.
Do lado das importações, os maiores avanços ocorreram nos bens de capital, com alta de 23,7%, seguidos por bens intermediários e de consumo. As compras de combustíveis recuaram 8,6%. China, Estados Unidos e União Europeia ampliaram participação como fornecedores, enquanto as importações de produtos argentinos registraram queda.
Com informações do MDIC
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