O Banco Central (BC) sinalizou que a taxa básica de juros da economia brasileira, atualmente em 15% ao ano, deverá permanecer em patamar elevado por um período prolongado. A avaliação consta da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira (5), e reflete preocupações com o cenário internacional e a resistência da inflação em convergir para a meta.
O colegiado manteve a Selic em 15% na reunião da semana passada, encerrada poucas horas após o anúncio do tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil. O pacote imposto pelo governo Trump determinou uma sobretaxa de 50% sobre boa parte dos produtos brasileiros vendidos aos EUA, medida que impacta diretamente setores como o agro e a indústria de transformação.
Para o Copom, o ambiente externo está mais “adverso e incerto”, com os desdobramentos do tarifaço gerando impactos ainda difíceis de mensurar.
“A elevação por parte dos Estados Unidos das tarifas comerciais para o Brasil tem impactos setoriais relevantes e impactos agregados ainda incertos”, registrou a ata. A incerteza internacional levou o comitê a adotar uma postura mais cautelosa.
Inflação fora da meta
A inflação medida pelo IPCA acumula alta de 5,35% em 12 meses, acima do teto da meta de 4,5% fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O centro da meta é de 3%. Segundo a ata, os núcleos de inflação seguem elevados, pressionados por uma demanda ainda aquecida.
O Copom aponta que, mesmo com a desaceleração recente nos preços dos alimentos, as expectativas inflacionárias permanecem desancoradas. Para o primeiro trimestre de 2027, o IPCA projetado está em 3,4%.
“Os núcleos de inflação têm se mantido acima do valor compatível com o atingimento da meta há meses”, destacou o BC.
Mercado aquecido e política fiscal sob pressão
O mercado de trabalho continua mostrando força, com renda em alta e taxa de desemprego em níveis historicamente baixos, fatores que sustentam o consumo e pressionam os preços. O BC também aponta que a política fiscal expansionista do governo federal, somada a incertezas sobre a trajetória da dívida pública, pode elevar a chamada “taxa de juros neutra” da economia.
Além disso, o Banco Central reconheceu que os efeitos do ciclo de alta da Selic, iniciado em setembro de 2024, ainda não foram totalmente sentidos. Desde então, a taxa saiu de 10,5% para os atuais 15%. De acordo com a autoridade monetária, o impacto da política de juros na inflação costuma levar entre seis e nove meses para se manifestar.
Crédito e consumo
Apesar da política monetária mais rígida, o mercado de crédito mostra sinais mistos. A oferta de empréstimos está em desaceleração, mas algumas medidas recentes, como o crédito consignado privado para trabalhadores do setor privado e entregadores de aplicativo, ainda têm impacto limitado.
Com a Selic em patamar elevado, o BC espera que o encarecimento do crédito e o estímulo à poupança atuem para conter a demanda e ajudar a controlar a inflação. Mas o custo dessa estratégia é o arrefecimento da atividade econômica.
Avaliação futura
O Copom reforçou que o atual ciclo de alta de juros está interrompido temporariamente para avaliação dos impactos acumulados.
“O momento atual é de interrupção no ciclo de alta de juros para examinar os impactos acumulados do ajuste já realizado”, diz a ata.
A manutenção da Selic elevada, segundo o colegiado, é necessária para garantir a convergência da inflação à meta.
Com informações da Ag. Brasil
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