A previsão do mercado financeiro para a inflação oficial do Brasil em 2025 recuou pela décima semana consecutiva, passando de 5,09% para 5,07%, conforme o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (4) pelo Banco Central. Apesar da redução, o índice ainda está acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 4,5% — o que indica que a inflação pode seguir fora dos limites desejáveis pelo governo.
A meta central para o IPCA, índice que mede a inflação oficial do país, é de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. No acumulado de 12 meses até junho, o IPCA foi de 5,35%, caracterizando, pela sexta vez seguida, o estouro da meta. Isso exige que o presidente do BC, Roberto Campos Neto, envie uma carta aberta ao ministro da Fazenda explicando os motivos do descumprimento e as medidas previstas para reconduzir a inflação aos limites fixados.
A pressão inflacionária tem sido puxada por itens como energia elétrica, embora junho tenha apresentado alívio com a primeira queda nos preços dos alimentos em nove meses, ajudando a conter o avanço do índice, que ficou em 0,24% no mês.
Juros permanecem altos com cenário externo incerto
Mesmo com a desaceleração da inflação nos últimos meses, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa Selic em 15% ao ano na última reunião, encerrando um ciclo de sete altas consecutivas. O comunicado do Copom citou o aumento das incertezas trazidas pela política comercial dos Estados Unidos — que recentemente impôs tarifas elevadas a produtos brasileiros — como fator de cautela.
Para o fim de 2025, o mercado espera que a Selic se mantenha nos 15%. As projeções indicam redução gradual nos próximos anos: 12,5% ao ano em 2026, 10,5% em 2027 e 10% em 2028. A Selic elevada tem o objetivo de conter a inflação ao desestimular o consumo e o crédito, mas também tende a esfriar a atividade econômica.
PIB em crescimento, mas com projeção moderada
A projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 foi mantida em 2,23%, após uma alta de 1,4% no primeiro trimestre, impulsionada pela agropecuária. Para os anos seguintes, o mercado espera uma expansão mais modesta: 1,88% em 2026, 1,95% em 2027 e 2% em 2028. Em 2024, o PIB brasileiro cresceu 3,4%, o quarto ano seguido de alta.
Câmbio pressionado
A previsão do dólar para o fim deste ano foi mantida em R$ 5,60, subindo para R$ 5,70 ao fim de 2026. O câmbio segue sob influência das incertezas fiscais internas, da alta dos juros nos EUA e dos desdobramentos da política comercial norte-americana, que podem impactar o fluxo de comércio e de investimentos com o Brasil.
A combinação de inflação elevada, juros altos e incertezas geopolíticas reforça a cautela do mercado e a necessidade de equilíbrio entre medidas de contenção de preços e estímulo à atividade econômica.
Com informações do Ag. Brasil
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