Reunidos nesta segunda-feira (21), em Santiago, no Chile, os presidentes do Brasil, Chile, Uruguai, Colômbia e o primeiro-ministro da Espanha protagonizaram uma declaração conjunta em defesa da democracia, da justiça social e da luta contra a desinformação. O encontro de alto nível “Democracia Sempre”, realizado no Palácio de La Moneda, foi marcado por discursos firmes contra o avanço do extremismo e por propostas de fortalecimento das instituições democráticas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que o agravamento das desigualdades sociais tem sido terreno fértil para o surgimento de forças reacionárias. Em sua fala, apontou a urgência de políticas redistributivas, afirmou que os super-ricos devem contribuir com o bem-estar coletivo e ressaltou que a democracia não se sustenta sem justiça social.
“Não há justiça em um sistema que amplia benefícios para o grande capital e corta os direitos sociais. Só o combate às desigualdades sociais, de raça e de gênero pode resgatar a coesão e a legitimidade das democracias”, afirmou.
Lula também fez duras críticas ao que classificou como “práticas intervencionistas”, em referência indireta à tarifa de 50% sobre produtos brasileiros anunciada pelo ex-presidente Donald Trump, e alertou para tentativas de interferência em processos políticos nacionais. Para ele, defender a democracia é uma tarefa coletiva que envolve não apenas governos, mas também a sociedade civil, o setor privado, o parlamento e a mídia.
A reunião ocorreu no mesmo local em que, há pouco mais de 50 anos, a democracia chilena foi interrompida com o golpe militar que derrubou o presidente Salvador Allende. Lula lembrou o episódio e a história de ditaduras na América do Sul para reforçar a importância da vigilância democrática. “Nossos países conhecem de perto os horrores das ditaduras que mataram, perseguiram e torturaram. Zelar pelos interesses coletivos é uma tarefa permanente”, disse.
Outros líderes reforçaram os compromissos assumidos no encontro. O presidente chileno, Gabriel Boric, afirmou que o momento exige propostas concretas para enfrentar desafios como a desigualdade, o crime organizado e a transição energética. “
Se de uma coisa estamos convencidos, é que ninguém pode se salvar sozinho”, declarou.
Yamandú Orsi, presidente do Uruguai, defendeu que a democracia deve estar ancorada em temas tangíveis e conectada com as reais demandas da população. Já o presidente colombiano, Gustavo Petro, destacou o valor da reunião para aprofundar os consensos democráticos e fortalecer o multilateralismo.
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, reforçou a necessidade de uma governança digital democrática para combater a manipulação nas redes sociais. Segundo ele, preservar a democracia não é apenas uma questão legal, mas um dever moral com as gerações futuras.
Lula finalizou sua fala reforçando a agenda do G20 brasileiro, com destaque para a Aliança contra a Fome e a Pobreza, e defendeu a justiça tributária como um instrumento para reequilibrar a economia. Segundo o presidente, os próximos passos do grupo incluem um novo encontro em setembro, em Nova York, durante a Assembleia Geral da ONU, com a presença de países da América Latina, Europa, África e Ásia.
A reunião no Chile reforça o posicionamento do Brasil na defesa ativa da democracia, em meio a um cenário internacional marcado por tensões políticas, escalada de autoritarismos e desafios socioeconômicos cada vez mais complexos.
Com informações do Gov.br
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