A imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros anunciada pelo governo dos Estados Unidos acendeu o alerta entre os produtores de mel do Brasil. O setor, responsável por mais de 64 mil toneladas anuais e com forte participação da agricultura familiar, pode sofrer impactos severos, principalmente nas regiões do semiárido nordestino, onde estão concentradas cooperativas e pequenos apicultores.
Na quinta-feira (17), a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) promoveu uma reunião com a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel) e a Central de Cooperativas Apícolas do Semiárido Brasileiro (Casa Apis) para avaliar os efeitos do tarifaço e discutir medidas de curto, médio e longo prazos.
Segundo Renato Azevedo, presidente da Abemel, cerca de 80% das exportações de mel do Brasil têm como destino os Estados Unidos.
“A gente depende totalmente desse mercado. Precisamos negociar uma extensão de prazo e, ao mesmo tempo, promover nosso mel em outros países. É hora de reduzir a dependência e valorizar o produto nacional”, afirmou.
A possibilidade de redirecionar parte da produção para o mercado interno também foi discutida. Wellington Dantas, diretor executivo da Casa Apis, destacou o papel da ApexBrasil como elo entre o setor e outros órgãos públicos.
“Estamos dialogando com o Ministério da Agricultura e com a Conab para avaliar se é possível absorver parte do mel no mercado nacional”, explicou.
Além disso, a ApexBrasil já trabalha na formulação de um projeto de promoção do mel brasileiro em mercados como a União Europeia, com ênfase no mel orgânico.
“Diante da situação dramática, podemos inclusive propor flexibilizações normativas para facilitar a entrada em novos mercados”, declarou Laudemir Müller, gerente de Agronegócio da agência.
A medida tarifária anunciada por Donald Trump entra em vigor em 1º de agosto e já provocou a suspensão de embarques do Porto do Pecém, no Ceará. Estima-se que 50 contêineres, com cerca de mil toneladas de mel, deixaram de ser enviados, gerando prejuízos imediatos a exportadores e cooperativas.
Durante a reunião, os representantes ressaltaram que os pequenos produtores são os mais vulneráveis diante da crise. Segundo dados do IBGE, o Brasil produziu 64,2 mil toneladas de mel em 2023, com participação expressiva da agricultura familiar, especialmente no Nordeste.
“O momento pede união. Crise é oportunidade. Vamos transformar esse limão em limonada”, concluiu Azevedo, destacando a importância da parceria entre o setor privado e o governo para enfrentar o novo cenário.
Com informações do Mapa
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