Entidades da indústria têxtil, calçadista e do agronegócio enviaram carta ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), pedindo a manutenção da tarifa de 20% sobre encomendas internacionais de até US$ 50. A cobrança foi retomada em agosto de 2024, após anos de isenção, e tem papel estratégico na proteção da produção nacional, especialmente em cadeias ligadas ao setor agro.
Entre os signatários da carta estão a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e a Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados), que representam setores intensamente conectados ao campo — como a cotonicultura e a pecuária de couro, responsáveis por abastecer indústrias que empregam milhões de brasileiros.
“As compras internacionais isentas de imposto penalizam a indústria nacional, inclusive aquela que transforma a produção agropecuária em valor agregado. São roupas, calçados, tecidos e acessórios feitos a partir de algodão, couro e outras matérias-primas brasileiras, que hoje enfrentam concorrência desleal de plataformas estrangeiras”, destaca o documento.
Dados reunidos pelas entidades mostram que, desde a volta da taxação, houve retração no volume das encomendas internacionais — de 16,6 milhões de pacotes/mês (entre fevereiro e julho/24) para 11,5 milhões (entre agosto/24 e junho/25). Também caiu o valor médio das compras, de R$ 1,3 bilhão para R$ 1,09 bilhão, indicando redução da entrada de produtos estrangeiros isentos e possível reativação da demanda interna.
Com a medida, a indústria têxtil cresceu 11,8% em 2025, enquanto o vestuário teve alta de 1,6% e o setor calçadista registrou avanço de 2,2% no consumo doméstico. O setor gerou mais de 31 mil empregos formais até maio, demonstrando a relevância da política de isonomia para fortalecer cadeias produtivas que têm base no agronegócio.
A carta alerta que reverter a cobrança beneficiaria grandes plataformas estrangeiras em detrimento da indústria nacional — que, no caso do agro, vai da lavoura ao vestuário, passando por curtumes, cooperativas, fiações e pequenas confecções no interior do país.
“Essa medida não apenas ajuda a proteger nossa indústria, como também valoriza a produção primária nacional. Manter a taxação é defender o emprego no campo e nas cidades”, diz o texto.
As entidades também lembram que países desenvolvidos, como Estados Unidos e membros da União Europeia, adotaram medidas semelhantes para evitar desequilíbrios em seus mercados internos. Para os representantes da cadeia agroindustrial brasileira, o momento exige responsabilidade e compromisso com a soberania produtiva do país.
Com informações da assessoria de imprensa
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