Em rara sintonia entre governo e oposição, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, foi amplamente elogiado por senadores durante audiência na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado, nesta segunda-feira (27), pela atuação diante do primeiro caso de gripe aviária de alta patogenicidade registrado em uma granja comercial do país, no município de Montenegro, no Rio Grande do Sul.
Parlamentares como Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Luis Carlos Heinze (PP-RS), Vanderlan Cardoso (PSD-GO) e Chico Rodrigues (PSB-RR) destacaram a agilidade do ministério na adoção de medidas emergenciais, como a instalação de barreiras sanitárias e a desinfecção da área afetada.
“Parabéns pela rapidez das decisões”, afirmou Vanderlan, em tom efusivo. Chico Rodrigues falou em “pronta resposta” do governo federal.
Durante a audiência, Fávaro exaltou a estrutura do sistema sanitário brasileiro e informou que 440 novos fiscais agropecuários já foram contratados para reforçar as ações de controle e liberação de estabelecimentos comerciais. Outros mil servidores devem ser nomeados.
“Se olharmos pelo lado positivo, dos 160 países importadores, 128 não restringiram a compra de carne de frango do Brasil”, declarou o ministro, com tom de otimismo.
Apesar disso, o impacto comercial da gripe aviária já atinge o setor: 24 países, incluindo o Kuwait, suspenderam temporariamente a importação de frangos e ovos brasileiros. O governo trabalha para restringir os embargos apenas ao Rio Grande do Sul ou, preferencialmente, ao município afetado. No entanto, será necessário aguardar o cumprimento de 28 dias de vazio sanitário antes de negociar a retomada das exportações com os parceiros internacionais.
“Faltam 22 dias para o Brasil se declarar livre da gripe”, disse Fávaro, acrescentando que a regionalização do embargo já foi adotada por países como Rússia e Coreia do Sul.
Segundo ele, as barreiras criadas em torno do foco em Montenegro foram eficazes e a situação está contida.
Em meio ao clima de elogios, houve espaço também para cobranças. A bancada do Rio Grande do Sul voltou a pressionar por uma medida aguardada há semanas: a prorrogação das dívidas dos produtores rurais gaúchos com vencimento em 2025, estimadas em R$ 136 bilhões. A promessa foi feita pelo próprio Fávaro, mas ainda depende da aprovação pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
O ministro afirmou que o texto já está pronto e que houve consenso técnico entre os ministérios da Agricultura, Fazenda, Planejamento e o Banco Central.
“O voto já está construído. Agora é preciso superar a questão orçamentária para que o ministro Fernando Haddad possa convocar uma reunião extraordinária do CMN e aprovar a medida”, garantiu Fávaro.
Antes do encerramento da sessão, o ministro ainda respondeu a um apelo do senador Jaime Campos (União-MT), que pediu mais investimentos no seguro rural dentro do novo Plano Safra. Fávaro reconheceu a importância do instrumento, mas afirmou que o modelo atual é ineficiente e precisa ser reformulado para se tornar mais atrativo, tanto para os produtores quanto para as seguradoras.
“O seguro rural é essencial, mas da forma como está, não cumpre seu papel. Vamos trabalhar para aprimorar esse mecanismo”, concluiu o ministro.
Por Álvaro Couto
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